Thursday, March 22, 2012

A Minha Primeira Vez

Sempre soube que seria apenas uma questão de tempo. Já tinha estado algumas vezes com casais, mas a oportunidade de estar a sós com uma mulher nunca se tinha verdadeiramente apresentado. Ou se calhar até já tinha, mas eu retraí-me – não havia atracção suficiente, ou predisposição, ou fosse o que fosse.

Naquela noite as coisas passaram-se de uma forma bem diferente. Eu estava com amigos, quando ela entrou pelo restaurante, puxou de uma cadeira e pôs-se a conversar com uma das minhas amigas. Não consegui tirar os olhos dela; a sua presença era impossível de ignorar – deve ter perto de 1,80m de altura, com uma pele luzidia, da cor dos grãos de café torrados. Apesar daquela altura, consegue ser feminina e tudo nela respira sensualidade: os olhos de felino, os lábios cheios e bem desenhados, as maçãs do rosto esculpidas, a testa alta com sobrancelhas definidas, o cabelo espesso e ondulado, a cair-lhe nos ombros. Pareceu-me exalar um aroma quente de madeiras exóticas. Eu estava hipnotizada.

Quando ela se levantou para se ir embora, eu não resisti e comentei em voz alta, em tom de brincadeira “Eu não gosto de mulheres, mas se gostasse, ia atrás dela!”. Eu sei; Um piropo foleiro, mas ela olhou-me por cima do ombro, sorriu um sorriso largo, revelando uns dentes magníficos e, pegando na cadeira onde estava sentada, levou-a para outra mesa com um outro grupo de pessoas, e sentou-se nela, virada para mim. Passámos as duas horas seguintes a avaliarmo-nos mutuamente.

Senti-me responsável por ter atirado os dados daquela forma. Às vezes meto-me em situações e depois não sei como sair delas, mas naquela noite, a trocar olhares e sorrisos cúmplices com aquela mulher, eu não queria sair daquela situação. Queria enterrar-me mais. O grupo com que eu estava a jantar deixou de existir, enquanto eu me imaginava a acariciar aquele corpo com seios generosos, a beijar aqueles lábios carnudos, imaginava aquele cheiro a sândalo a impregnar-se na minha pele, o meu suor a misturar-se com o dela.

Quando algumas horas mais tarde nos encontrámos a sós, no meu apartamento, tudo se passou de uma forma mais intensa do que eu tinha imaginado. Sentia-me uma menina, inexperiente, insegura, complexada…é verdade que nós, mulheres, gostamos de nos comparar com outras. O que iria ela achar do meu corpo? Será que ia gostar dos meus seios, do meu rabo, do meu cheiro?

Começou por despir-me devagar enquanto estávamos de pé no hall de entrada com as luzes acesas. Tirou-me os brincos e beijou-me as orelhas. Depois tirou-me o colar e beijou-me o pescoço, muitas vezes, sempre devagar, uns beijos quentes e generosos com um pouco de roçar de dentes. “Cheiras bem”, disse-me. Eu estava de pé, imóvel, sentia a cabeça a andar à roda, os ouvidos ainda a zumbir da música ensurdecedora do clube onde tínhamos estado. Ela parecia estar perfeitamente calma, controlada. Sabia exactamente o que estava a fazer. Beijou-me o colo até o fim do decote, sempre a inspirar profundamente para me cheirar. Encontrou o fecho lateral do vestido e levantou o meu braço para poder abri-lo mas deteve-se primeiro a beijar-me o sovaco, a parte interior do braço, tirou-me uma pulseira e beijou-me o pulso e os dedos das mãos, chupando neles levemente. Virou então a atenção para o fecho do meu vestido e abriu-o devagar, beijando a pele que ia expondo. Depois baixou-se à minha frente e pôs as mãos debaixo do meu vestido. Tirou-me as meias presas às coxas, uma de cada vez, com muito cuidado e quando a pele ficou nua e exposta, beijou-me as pernas, dedicando mais tempo à parte de trás dos joelhos. Eu sentia já o meu mel a escorrer de dentro de mim. Ambas tremíamos levemente de antecipação. Assim, agachada aos meus pés, olhou para mim e sorriu aquele sorriso magnífico e disse-me “Agora tens de me ajudar”. Foi como se me despertasse de um transe, e descalcei então os meus sapatos, as meias e tudo o resto. Despi-me completamente à sua frente enquanto ela me observava; deixei de ter medo do que ela pudesse pensar dos meus seios ou do meu rabo. Depois peguei-lhe pela mão e levei-a até ao meu quarto, onde a despi devagar, enquanto a ia beijando, tendo o cuidado de lhe prestar tanta atenção quanto ela me tinha prestado a mim. Não sabia onde estava nem para onde ia mas sabia que não havia forma de voltar atrás.

Nunca tinha feito amor daquela forma. A sua pele era firme e macia ao mesmo tempo, sem quaisquer pêlos; o corpo musculado mas extremamente feminino, com uns seios redondos de mamilos duros a apontar para cima. O sexo dela, muito diferente do meu, tinha mais carne e abria-se para mim como uma anémona e libertava um aroma a especiarias e mar, um misto de doce e salgado que me baralhava os sentidos.

O que foi feito, dito e sentido naquela noite, ficará para sempre gravado na minha memória. É demasiado íntimo e especial para o descrever em pormenor. Fizemos amor incessantemente até o sol estar já bem alto no dia seguinte. Finalmente adormecemos entrelaçadas uma na outra e eu sonhei. Sonhei com paisagens de desertos com intermináveis dunas ondulantes que se transformavam em corpos ofegantes de prazer; sonhei com praias cujas ondas rebentavam e desapareciam numa enorme fenda que parecia um sexo de mulher; sonhei com florestas de árvores de troncos escuros e polidos, como o corpo desta mulher. Quando acordei, ela já se tinha ido embora e deixara-me um recado escrito num guardanapo que dizia numa caligrafia solta: “Vou a pensar em ti”, e um número de telefone.

Thursday, March 15, 2012

Ama-me Mais...


Este Domingo passado andei pela cidade de manhã a trabalhar numa das minhas campanhas de marketing para a Love Me More, que consiste em colar autocolantes em vários pontos no centro.  Pode-vos parecer uma porcaria, uma contribuição para o aspecto sujo desta cidade e, se assim pensarem, estão no vosso direito; podemos falar nisso outro dia.  O certo é que fiz a mesma coisa no ano passado e tive algum sucesso: os trilhos de autocolantes pelas ruas, faziam com que as pessoas os seguissem, vindo invariavelmente ter à loja.  Acabou por ser uma espécie de campanha de Guerrilla Marketing. Não ponho os autocolantes em qualquer sítio, tenho alguma consciência social: não os aplico em propriedade privada nem por cima de outra informação.
Estava eu então a percorrer as ruas do centro da cidade com a minha cadela sempre atrás de mim; o domingo estava solarengo e quente mas as ruas encontravam-se praticamente desertas – talvez ainda fosse demasiado cedo para os primeiros cafés começarem a ser servidos pois as poucas esplanadas abertas encontravam-se vazias. 
Love Me More nos postes de iluminação; Love Me More nos bancos de jardim; Love Me More nas pedras da calçada; Love Me More nas cabine telefónicas;  Love Me More nas papeleiras; Love Me More, Love Me More, Love Me More...de repente, pareceu-me um mantra, uma prece, como se fosse Lagos, enquanto cidade, a pedir para ser mais amada.  E apercebi-me então de que já gostei mais desta cidade. 
Eu gostava mais de Lagos antes do antigo edifício da estação dos caminhos de ferro ter sido desactivado e abandonado.  Gostava mais de Lagos antes da Câmara Municipal remover todos os serviços do Centro Histórico e levar com eles todas as pessoas que afluíam diariamente ao centro da cidade para tratar de assuntos variados.  Gostava mais de Lagos Antes da Praça do Infante ter sido “requalificada”, e de lá removidas aquelas duas belíssimas calçadas e os plátanos centenários que lá se encontravam, para darem lugar a uma fonte sem carácter e meia dúzia de árvores patéticas que só daqui a muitos anos darão sombra aos bancos frios de pedra que agora lá se encontram.  Eu gostava mais de Lagos antes de terem mexido no Jardim da Constituição e substituído as lajes em que dantes caminhávamos, por terra batida que se transforma num lamaçal quando chove.  Gostava mais de Lagos antes da construção do parque de estacionamento da Avenida, que literalmente só mete água, investimento ridículo pelo qual todos nós agora temos de pagar. Gostava mais de Lagos quando a PSP se encontrava no centro, onde as pessoas e as lojas estão – isto de porem a polícia longe das pessoas e os carros perto delas é algo que me dá voltas ao estômago.  Gostava mais de Lagos quando a cidade era anfitriã do Festival Medieval, e esse festival se decorria solto, pelas ruas da cidade, em vez de limitado ao recinto do anfiteatro, que falta de piada! Gostava mais de Lagos antes de terem tido a infeliz ideia de elevar a cidade ao Século XXI, como se as cidades modernas fossem melhores, mais acolhedoras, mais seguras, mais belas, e nos oferecessem melhor qualidade de vida.  Gostava mais de Lagos antes de Lagos ter começado a desrespeitar o passado para tomar o impulso para o futuro, futuro esse que afinal é um frio vazio com obras mal concebidas, inacabadas e na sua maioria desnecessárias.
Enquanto distribuía os autocolantes, Lagos suplicava-me “Ama-me Mais”, mas não sei se consigo.  Sinto-me como se traída por um parceiro por quem fiz planos e mudei a vida, apenas para descobrir demasiado tarde que os objectivos dele sempre foram outros e que ele nunca quis o meu bem.

Friday, February 24, 2012

Voto Contra a Tolerância



Há imenso tempo que não escrevia. O frio do Inverno dá-me para outros devaneios, mas hoje, triste e revoltada, não podia deixar de o fazer.
No dia 24 de Fevereiro de 2012, o Parlamento Português votou contra a adopção por casais homosexuais.   Portugal é de momento o único país que permite o casamento entre homosexuais sem permitir que estes casais adoptem.  Já li muitas das razões opinadas por pessoas que são contra a atribuição de tal direito a homosexuais (como se a responsabilidade de criar, educar e amar outro ser humano fosse um direito que deve ser negado a algum adulto responsável e com condições para o fazer), mas nenhuma das razões me parece objectiva e racional. Como se fosse psicológica e socialmente preferível uma criança crescer numa instituição a crescer numa família, seja ela constituída por quem seja.
Maioria dos oponentes da causa dizem temer que tais crianças possam vir a pensar que ser homosexual é “normal” (será anormal?) e tornarem-se homosexuais, como se a homosexualidade (ou a heterosexualidade) se ensinasse em casa, em sessões regulares tal como se faz com os ensinos religiosos, musicais e com as explicações de matemática!
Eu vejo esta questão da adopção por casais homosexuais da mesma forma que vejo a adopção interracial. Obviamente, o resultado destas adopções é o de uma família que não é a norma. É algo que vai levantar questões: pelas próprias crianças ao se aperceberem que a sua família é diferente das outras, mas também pelos educadores, professores e familiares.  É normal que haja um acompanhamento psicológico em casos de adopção e, ainda mais, num caso de adopção interracial.  No final, todos beneficiam por passarem por experiências de vida únicas e enriquecedoras.  Não vejo a adopção por casais homosexuais de forma diferente, pois é algo que também não passará despercebido mas sobre o qual os adultos envolvidos se apercebem de que estão a fazer algo fora do comum e por isso serão alvo de curiosidade, questões e, nos piores dos casos, discriminação e ameaças...que é algo que infelizmente, maioria dos homosexuais já conhece.
Como mãe heterosexual de um rapaz adolescente, devo confessar que nunca me preocupei em mostrar ao meu filho que ser heterosexual é “normal”; mas preocupei-me muitas vezes em mostrar-lhe que não é a sexualidade de alguém que vai fazer com que eu os considere melhores ou piores pessoas.
Oitenta por cento dos suicidas adolescentes suicidam-se devido a causas relacionadas com a sua orientação sexual. Porque os pais não os aceitam ou aceitariam como são; porque são gozados e maltratados nas escolas;  porque se vêm rodeados de tal animosidade perante a homosexualidade que são incapazes de conceber admitir seja a quem for, que são homosexuais; porque receiam ter de viver o resto da vida numa mentira e a opção de terminar a própria vida é mais apelativa do que a mentira.  Crianças criadas no seio de uma família homosexual não se tornarão homosexuais mas sim tolerantes.  Há que dar oportunidade às famílias que têm a vontade e a coragem de criar e nutrir aquilo que pode vir a ser uma geração mais tolerante e respeitosa perante as diferenças entre os seres humanos.  As sociedades dependem disso.  Será um trabalho árduo e longo mas todos nós podemos contribuir para isso com o exemplo que damos em casa; com as causas que apoiamos; com aquilo que vocalizamos e com a forma com que tratamos os que nos rodeiam.

Thursday, November 17, 2011

Come-me o Coração | Eat My Heart


Tenho uma cadela adorável. Mas hesito trazê-la para a boutique porque tem tendência a fazer-me destas coisas...

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I have a lovely dog. But I hesitate bringing her into the boutique because she tends to do this type of thing...

Saturday, November 5, 2011

Cabra com Remorsos



















Cabra com Remorsos

Um dia fui Cabra. Quem sabe algo de mim há-de pensar ao ler isto: “só um dia?”. Há quem pense que a minha aptidão para dormir com homens casados me qualifique à partida como Cabra. Mas não é bem assim; este jogo tem algumas regras, sendo as principais as seguintes:

1. Usar SEMPRE preservativo

2. Nunca revelar a identidade dos homens casados com quem durmo…nem às melhores amigas

3. Nunca procurar identificar as mulheres dos homens com quem durmo nem dormir com homens cujas mulheres conheça

4. Se, durante o relacionamento, o tipo começar a fantasiar acerca de deixar a mulher para legitimizar a relação que tem comigo, cortar imediatamente a relação.

Há outras regras, claro, menos importantes e mais fluídas, mas depois há situações com as quais nos deparamos para as quais temos simplesmente de agir impulsivamente e os resultados nem sempre são os melhores.

Quando o meu telefone tocou naquela manhã, pensei que fosse algo relacionado com a reunião que ia ter no fim do dia, mas acabou por ser uma surpresa muito mais agradável: era um ex-namorado meu de há uns 10 anos atrás com quem tinha vivido uma paixão intensa durante quase dois anos, mas a minha incapacidade de ser fiel aliada à minha fobia de compromissos acabou por nos afastar. Volta e meia ainda nos encontrávamos para beber um copo e mantermos a “conversa”. Chegou a confessar-me que agora compreendia a minha necessidade de variar os meus companheiros mesmo quando estava feliz numa relação, não tivesse eu sido o objecto de algumas traições suas e costumava dizer-me que, se eu quisesse, poderia ter sido a mulher da vida dele…

Nesse dia telefonou-me para me convidar para almoçar e, durante o almoço deu-me 2 óptimas novidades: a empresa dele estava a crescer e estava no processo de se mudar para novas instalações mesmo ali perto e a segunda novidade era que estava apaixonadíssimo, desta é que era e ia casar-se com uma mulher incrível! Senti-me feliz por ele e ao mesmo tempo um pouco babada! Aqui estava, um ex-namorado e um dos meus melhores amigos a pôr de parte tempo para estar comigo a sós para me dar uma notícia tão importante!

Depois de um almoço civilizado, ele convidou-me a ir ver as futuras instalações da empresa dele. Era um espaço amplo, com muita luz natural. Ainda havia algumas obras a decorrer mas não estava lá ninguém a trabalhar. A mesa de reuniões com as suas doze cadeiras eram as únicas peças de mobília que tinham sido entregues.

Não interessa como, mas dei por mim a fazer amor com ele em cima daquela mesa; a luz do sol entrava pelas janelas altas da sala e aquecia-nos, fazendo-nos sentir como se estivéssemos ao ar livre. Não nos tínhamos sequer despido – eu debruçada sobre a mesa, de costas para ele, uma das suas mãos tinha explorado por dentro da minha blusa e encontrado um seio dentro do soutien, enquanto a outra bem firme numa nádega, me mantinha a saia travada levantada. Tinha-o ajudado a pôr um preservativo, que trago sempre comigo, e fi-lo quando ele tinha as calças à volta dos tornozelos e os boxer pelos joelhos. Ríamos e soltávamos as exclamações e grunhidos típicos de quem está a passar um bom bocado.

Aparentemente do nada, ouvimos um som. Uma mala e chaves caídos no chão à porta da sala onde estávamos. Uma mulher lindíssima, um pouco mais nova do que eu e quase tão alta, com cabelos castanhos claros a cair-lhe até aos ombros, fixava-nos boquiaberta, pálida. A tentar aguentar as lágrimas que queriam entornar-se-lhe dos olhos, ela disse apenas “vi o teu carro”. Apanhadíssimos! Eu, que nunca tinha estado numa situação daquelas e nunca me tinha verdadeiramente imaginado em tal situação, reagi impulsivamente: virei-me de frente para ele, compus-me o quanto pude e empurrei-o para o afastar de mim o suficiente apenas para lhe pregar um enorme estalo na cara enquanto gritei “quem é esta?”, ele olhava ora para mim ora para ela, mudo, imóvel, pânico estampado na sua cara. Ela respondeu por ele e disse, com as lágrimas a correrem agora livremente pelo seu rosto “sou a ex-noiva dele”, e com estas palavras, tirou o anel que tinha num dos dedos, deixou-o cair no chão e disse entre dentes “cabrão de merda”. Com isto, eu preguei-lhe outro bofetão e rapidamente apanhei as minhas cuecas e mala e saí da sala, pedindo licença à mulher que ainda estava imóvel na ombreira da porta.

Já se passou quase um ano desde este incidente. Aquele homem, que era um dos meus melhores amigos, nunca mais me contactou. Tenho vergonha sequer de lhe telefonar para lhe pedir desculpas pelo que fiz, por lhe ter atirado toda a culpa para cima e me ter feito passar por vítima inocente. Não sei se teria sido de alguma forma útil incriminar-me a mim também mas a realidade é que num momento fulcral, o instinto levou-me a proteger a minha imagem. Como filosofia de vida, tento estar sempre pronta a ajudar e a apoiar os meus amigos mas quando fui posta entre a espada e a parede, fui Cabra. Cabra de merda!

Monday, October 31, 2011

Espelho Meu... | Mirror Mirror...

(English text below)
Este texto contém um desafio para as mulheres.
Nós mulheres, somos diferentes dos homens em vários aspectos. Às vezes aspectos que nem sequer compreendemos ou conhecemos inteiramente.  Em termos físicos, e falando agora estritamente de genitália, uma enorme diferença que existe entre os sexos é que a das mulheres está escondida enquanto que a dos homens está, bem… toda pendurada! Isto pode parecer algo insignificante mas na realidade, afecta muitas outras coisas – nomeadamente na cultura e na forma como encaramos o nosso sexo.  Perguntem a qualquer homem quantos sinais tem no pénis ou testículos…pode não saber quantos são (se forem muitos!) mas de certeza que consegue dar uma indicação vaga da sua localização e cor.  Os nossos corpos não são perfeitamente simétricos e, qualquer homem sabe para que lado o seu pénis se inclina mais.  Não são apenas os aspectos físicos dos nossos corpos que são assimétricos – podemos ser mais sensíveis num mamilo do que noutro, ver melhor de um olho do que do outro, sendo que demonstramos uma óbvia preferência por utilizar uma mão ou pé sobre o outro.
O desafio que tenho hoje para as mulheres é o de se conhecerem melhor. Intimamente.  Reserve uns minutos para si própria em privado, com um espelho de mão. Sente-se confortavelmente numa cama ou sofá, nua da cintura para baixo com as pernas dobradas e abertas.   Explore-se com a ajuda do espelho.  Os lábios da nossa vulva, o clítoris, o prepúcio, a entrada para a vagina e até a uretra, são diferentes de mulher para mulher.  Veja se conseguem notar assimetrias.  Estude o contorno da labia majora e depois da labia minora.  Estude as suas formas.  Aprecie a beleza do seu clítoris e do pequeno “capuz” que o protege.  Toque-se com um pouco de lubrificante aquoso ou saliva.  Prove-se.  Sinta quais são os seus pontos mais sensíveis e os que lhe dão mais prazer.  É natural que seja mais sensível de um lado do clítoris.  Estude a pressão e o ritmo que lhe agrada mais ao se tocar – ao saber isto, estará mais apta para pedir ao seu parceiro ou parceira para a tocar da forma que mais gosta, sendo assim capaz de alcançar maior prazer. 
Infelizmente a cultura Ocidental tem uma atitude um tanto negativa perante a nossa genitália mas em certas culturas Orientais ela chega a ser um objecto de culto.  Celebre o facto de ser mulher – a começar pelo mais íntimo que a faz mulher!  Atreva-se a olhar-se desta forma.  Lá por estar escondida, não quer dizer que seja para não ser conhecida.  A nossa anatomia é bela! 
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This text contains a challenge to women.
We women, are different from men in many regards. Sometimes in ways we don’t even understand or know fully well.  Physically, and speaking now only of genitalia, one of the enormous differences that exist between our sexes is that ours is hidden while men’s is…well, hanging all out! This can seem somewhat insignificant but in reality it affects many other things – namely in culture and in the way we face our sex.  Ask any man how many freckles or moles he has on his penis or testicles…he may not know how many he has (if he has many!), but he can certainly give you a vague indication of where they are what they look like.  Our bodies are not perfectly symmetric , and any man knows which side his penis leans toward.  It’s not only the physical aspects of our bodies that are asymmetric – we’re frequently more sensitive on one nipple than the other, may see better out of one eye than the other and the great majority of us shows an obvious preference for using one hand or foot over the other.
The challenge I have for the ladies today, is for you to get to know yourselves better.  Intimately. Reserve some private minutes for yourself  with a hand mirror. Sit comfortably on a bed or sofa, naked from the waist down and with your legs open and bent.  Explore yourself with the help of the mirror.  The lips on our vulva, the clitoris, the prepuce, the opening to the vagina and even the urethra, are different from woman to woman.  See if you can notice any asymmetries.  Study the contour of the labia majora and then of the labia minora.  Study their shapes.  Appreciate the beauty of your clitoris and the small “hood” that protects it.  Touch yourself with a little water based lubricant or saliva. Taste yourself. Feel which points are more sensitive and which give you more pleasure.  It’s natural that you may be more sensitive on one side of the clitoris.  Study the pressure and the rhythm that pleasures you most when being touched – if you know this, it will be easier to ask your partner to touch you in the way it pleases you most, thus being able to reach more pleasure.
Unfortunately the Western culture has a somewhat negative attitude towards our genitalia but in certain Eastern cultures it’s a cult object.  Celebrate being a woman – starting with the most intimate thing that makes you a woman!  Dare to look at yourself like this.  Just because it’s hidden, it doesn’t mean it should be unknown.  Our anatomy is beautiful!

Friday, October 28, 2011

Mulierem Sapiens

É frequente eu ser acusada de pensar como um homem. “Não sei como é que consegues separar as coisas”, dizem-me as minhas amigas falando de sexo e emoção, ou sexo e envolvência ou sexo e…amor? O que é certo é que é verdade e por isso me sinto tão competente neste papel que escolhi para mim própria de ser, quase permanentemente “a Outra”. Considero-me uma alma caridosa, uma voluntária que ajuda as relações dos outros a serem mais suportáveis. Apesar de tentar evitar assuntos muito pessoais, converso o suficiente acerca de assuntos pessoais para ter uma noção de como é a vida conjugal destes homens. Maioria das vezes é-me relatada uma situação quase insuportável de uma esposa que não gosta de sexo ou que desde que se casou que se esqueceu que é mulher ou de mulheres que se dedicam tão exclusivamente aos filhos que se esquecem que têm um marido lá em casa. Deixar o Zézinho na casa dos avós para poderem ir jantar os dois juntos está simplesmente fora de questão, apesar do Zézinho já saber ler e escrever… O que é certo é que maioria dos homens com quem eu estou, passam tempo comigo porque têm algum grau de infelicidade marital e estão a preparar-se (nem que apenas na sua imaginação!) para eventualmente abandonarem a situação em que se encontram.

No entanto, uma vez andei metida com um tipo que me dizia que gostava muito da mulher e que o sexo com ela era fantástico e despedia-se de mim com “desculpa, mas tenho de ir ter com a menina que amo”. Isto incomodava-me um bocado porque com essas palavras eu já não era a alma caridosa, nem estava a ajudar ninguém. Divertíamo-nos na companhia um do outro, sem dúvida mas eu, que supostamente penso como um homem, questionava-me - mas porque raio andamos então aqui às escondidas? Não seria muito mais fácil ele ter uma conversa franca com a sua querida e dizer-lhe “Amorzinho, gosto muito de ti e quero passar o resto da minha vida contigo. Mas sou incapaz de ser fiel – não tem absolutamente nada a ver com o que sinto por ti nem com a qualidade ou quantidade do sexo entre nós. Não és tu, sou eu. O meu prazo de fidelidade expirou”.

Ela se calhar até lhe agradecia e dizia algo como “Meu amor, ainda bem que me dizes isso! Eu sinto o mesmo, o que achas de abrirmos a nossa relação para podermos estar com quem nos apetece sem culpas?” – e viveriam felizes para sempre!